Quebrar com a artificial dicotomia campo/cidade

A partir de S. Brás de Alportel a Associação InLoco promove e dinamiza uma das iniciativas mais relevantes do país no domínio das relações do campo com a cidade. Neste caso a preocupação é esbater as fronteiras entre o rural e o urbano e promover um novo equilíbrio que favoreça uma maior sustentabilidade dos modos de vida citadinos. O que marca a Iniciativa aHorta é a preocupação de integrar as diversas frentes de trabalho num todo coerente que garanta impactos reais e positivos das acções desenvolvidas nas populações e nos territórios envolvidos.

 

Nas últimas décadas, a relação entre o campo e a cidade não foi pacífica nem positiva. De uma relação ancestral onde Urbano e Rural constituíam modelos indissociáveis e complementares de um sistema territorial mais vasto, evoluiu-se em poucas gerações para uma hegemonia do urbano como “O” modo de vida ideal, como aspiração ou utopia à escala global, em oposição a um conceito de ruralidade tida como atávica, ultrapassada. Com os meios de comunicação globalizados, os processos de aculturação e de perda de identidade estenderam-se a todo o mundo rural, acompanhados de uma desvalorização social generalizada do trabalho na terra e de uma tremenda perda de população rural. O equilíbrio entre o campo e a cidade tornou-se muito mais frágil e as representações sociais associadas a estes modos de vida polarizaram-se.

Voltar a sentir novamente a terra

Estando a maioria da população mundial a viver em contextos urbanos desde 2008, muitas vezes em condições opostas às idealizações da utopia urbana, cedo surgiu a necessidade de estabelecer pontes, de restabelecer o equilíbrio pois, embora o campo nunca tenha deixado de existir no meio da cidade, os dois conceitos autoexcluíram-se durante demasiado tempo, pelo menos no discurso formal e técnico. Já no domínio do quotidiano, a necessidade espontânea de esbater a rigidez das fronteiras entre o campo e a cidade produz iniciativas “bottom-up” que surgem a um ritmo impressionante, por todo o mundo e nas mais variadas formas: hortas urbanas, coberturas verdes, jardins verticais, hortas nas varandas e quintais, hortas comunitárias, sociais, pedagógicas, terapêuticas, são apenas algumas das múltiplas formas da população urbana voltar a sentir novamente a terra.

Diversas frentes de trabalho

Com o apoio da Fundação EDP, a Iniciativa aHorta surgiu como uma resposta espontânea da Associação In Loco à crescente necessidade de quebrar com a artificial dicotomia campo/cidade e de construir formas mais sustentáveis de viver nos espaços urbanos ou predominantemente urbanos.

São diversas as frentes de trabalho neste sentido e as atividades realizadas, em curso ou planeadas:

Capacitação – Formação em agricultura biológica, compostagem caseira e temas afins;

– Formação sobre hortas nas varandas e quintais;

– Realização de Oficinas de permacultura;

– Organização do Curso de Iniciativas de Transição;

Partilha de experiências – Animação da rede social aHorta: www.ahorta.ning.com

– Realização de Feiras bio mensais;

– Organização da Universidade de Verão 2012;

– Realização de Exposições;

– Organização de provas e degustações de produtos regionais;

– Realização de eventos específicos;

Demonstração – Instalação da Horta de demonstração em agricultura biológica;

– Criação do Viveiro de propagação de variedades autóctones;

– Cultivo de variedades tradicionais;

– Implementação de um Programa de integração de pessoas portadoras de deficiência;

Participação – Criação de Hortas comunitárias, sociais, terapêuticas, nos quintais e nas varandas, em diversos municípios do Algarve;

– Definição e implementação de modelos de organização e gestão participada de talhões nas hortas urbanas;

Inovação – Organização e animação de Circuitos Curtos de Produção e de Distribuição de Proximidade (PROVE);

– Formação prática em cozinha bio vegetariana e cosmética natural;

– Construção de Sanitários a seco

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